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Sábado, Fevereiro 26, 2005
Estamos prosseguindo as nossas pesquisas, porém estamos encontrando algumas dificuldades no que concerne à tradução dos textos, posto que temos a preocupação de traze-los aqui no seu verdadeiro sentido e autenticidade, exatamente da forma em que o Senhor Alfred os escreveu. Ainda temos muitas coisas para esclarecer a cerca da sua vida e de sua história, porém, para que não haja excesso de curiosidade, adiantamos abaixo a primeira parte de um dos textos que contam a história de um dos filmes de Alfred Martin...
O Homem Nu da Parada de Ônibus
AMô-cinha, como sempre, altamente distraída em seus compromissos profissionais, chegara à parada de ônibus com a sua postura de mulher de negócios, é certo que tal postura era apenas um disfarce, pois, na realidade a Mô-cinha era uma menina levada e a sua verdadeira essência de liberdade não se comportava e tampouco se adequava aquele disfarce competente.
Ereta, de pé, na calçada, lia atenta as placas que indicavam o destino dos ônibus que passavam pela movimentada avenida, porém, seu olhar fora desviado. Como tudo em sua vida, o seu olhar também sujeitou-se a um desvio. Neste momento, seu relógio parou, os ônibus pararam, o vento parou, o silêncio pairou e uma música de fundo embalara a bela visão que miravam os olhos da Mô-cinha, tudo isso acontecera em meio segundo, e antes que o próximo segundo se seguisse a contar a Mô-cinha voltara os olhos à avenida, pois os seus compromissos eram muito importante e inadiáveis.
Contudo, depois de ter visto a beleza daquele Homem que aguardava de modo sereno um ônibus, a sua concentração já não era a mesma, os seus pensamentos corriam desesperados, se esbarravam e atropelavam uns aos outros, tinha que ser um pensamento rápido, mas eles eram atrapalhados e confusos, toda essa bagunça mental era para descobrir como chegar perto daquele Homem que chamara tacitamente a sua atenção.
Tendo desistido de pensar em uma solução inteligente a Mô-cinha seguiu em direção ao Homem, parou ao seu lado, olhou-o nos olhos e neste exato momento seu ônibus parou diante dos seus olhos, o relógio lhe apertou o pulso para lhe lembrar do seu compromisso ao qual atrasar seria fatal. Sentira um nó na garganta, pois ela já tinha certeza que o Homem da parada de ônibus certamente era o amor da sua vida.
Mesmo a contra gosto, ela, tristemente, pegou o ônibus e ao subir ela apertava os olhos rezando para que ele subisse junto (nesse momento a Mô-cinha refletia no quanto a vida costumava ser cruel com ela, pois tendo encontrado alguém que certamente seria um grande amor, este romance se quer se consolidaria). Quando se sentou olhou para a porta e vira a realização instantânea das suas orações: o Homem do ponto pegara o mesmo ônibus que ela.
(Alfred Martin gostava de mostrar em suas histórias os pontos controversos de suas discussões filosóficas com seu filho, nesta história, e mais precisamente neste ponto, ele abordava o destino como elemento determinante, de modo que um simples encontro ao apanhar um ônibus pôde mudar a vida e o pensamento de uma moça sonhadora, assim como os sonhos de um rapaz sensível)
O Homem sentou-se logo atrás da Mô-cinha, esta não contivera um sorriso de satisfação, ela já se sentia vivendo o início da grande história de amor da sua vida. Para consolidar o encontro, o Homem a perguntou se aquele ônibus o levaria para "may street" (é uma das principais ruas da cidade localizada próximo ao centro) e esta era exatamente a rua a que a Mô-cinha se destinava, então ela, sem tirar o sorriso do rosto, lhe respondera que sim. Foi quando o Homem fez a pergunta que foi a grande oportunidade de Mô-cinha:
- Está muito longe?
Ela, tendo percebido que o sotaque dele era diferente do sotaque das pessoas de Morgoland e, ao mesmo tempo, almejando causar uma impressão paradoxal, com a cabeça meio de lado, como se não quisesse fazer muito esforço para respondê-lo, olhou-o nos olhos e respondeu da seguinte forma:
- Depende do que seja longe para você. Em que cidade você mora?
Neste momento o Homem já havia percebido o encanto de Mô-cinha, sabia que não se tratava de apenas uma jovem adolescente, aquele ser que lhe assaltava com enorme charme era uma mulher que sabia o que queria, porém, para ter certeza de suas intenções, que ainda não pareciam ser tão claras, resolveu lhe responder de forma sucinta, e, caso ela continuasse a prolongar o diálogo, já estaria claro o que ela queria. E aí lhe respondeu o Homem:
- Em San Paul
(San Paul é uma cidade bem distante de Morgoland, porém as duas cidades pertencem ao mesmo país, muito embora não parecesse, pois o que tinha Morgoland de pacato, tinha San Paul de agitado)
Ela respondeu:
- Então você vai achar perto.
A essas alturas, a Mô-cinha já havia deixado o romantismo um pouco de lado, juntamente com a sua falsa timidez, e vestira a fantasia da garota conquistadora sem inocência adotando a tática de parecer moderna e inteligente. Ela precisava mostrar exatamente quem ela era, pois estava vestida com roupa de trabalho, um tanto séria em demasia para uma menina como ela. Mô-cinha tinha certeza, que ao mostrar as suas primeiras opiniões deixaria o rapaz encantado.
Então ela virou o corpo todo para ele, apoiando as mãos na parte superior do banco do ônibus e o queixo nas mãos e lhe perguntou:
- Então, o que fazes em Morgoland?
O Homem da parada estava em Morgoland a trabalho, ele havia ido à cidade para restaurar o acervo musical da biblioteca central, e foi exatamente isso que ele disse à Mô-cinha. Esta ficou encantada com a arte que compunha o trabalho dele, nessa altura dos acontecimentos ela já estava completamente envolvida com aquele rapaz que reunia tudo o que ela admirava. E seguiram viagem conversando como velhos amigos, eles tinham tantos assuntos em comum que o Homem resolveu propor um posterior encontro, e ela, sonhadora que era, aceitou no ato, com uma leve convicção que sua história encantada estava por se consolidar.
Mô-cinha desceu do ônibus antes do destino do Homem, eles se despediram com a alegria da certeza de um breve encontro, que foi marcado, para o domingo seguinte, na praça cultural de Morgoland.
Antes que o domingo chegasse, o Homem, que não mais parara de pensar no sorriso da Mô-cinha, convidou-a para um almoço informal, porém ela, que era apenas uma menina levada, já não sabia mais se aquele que lhe cortejava com tamanha gentileza era mesmo o seu grande amor, pois um dia que se passava na vida dela era o suficiente para mudar até mesmo sua idéia sobre príncipe encantado. Então, devido à sua inconstância, recusou o convite para almoçar.
Porém, ainda que não tivesse mais tão encantada por aquele belo Homem, Mô-cinha não se furtou do encontro de domingo, e no fim da tarde dominical que se seguiu já estava ela na praça cultural, para encontrar o encantador Homem da parada de ônibus.
Ao chegar na praça ela logo o viu. Ele era um Homem de infinita beleza, tinha os traços da face perfeitos, os olhos e os cabelos castanhos e o rosto encoberto por uma barba que lhe dava um charme quase que filosófico. Durante toda a tarde ele se comportou como um cavalheiro e se surpreendeu com A Mô-cinha, pois esta deixou transparecer uma pontinha do seu bom humor e do seu temperamento altamente espontâneo. Mas esta transparência deixou o Homem ainda mais encantado, pois vira que ela era uma verdadeira jóia.
No fim da tarde, quando o Sol já não mais iluminava o dia eles se despediram e surpreendentemente eles se beijaram. Na verdade eles não acreditavam que isso iria acontecer, pois até então o clima era meramente amistoso, porém o beijo surgiu de surpresa. Não se pode dizer, nem mesmo, que foi um beijo fenomenal, um encaixe perfeito, mas eles gostaram do cheiro, do abraço, da companhia, a tarde fora encantadora e por conseqüência eles ficaram admirados um com o outro e isso já era o suficiente para que algo mais acontecesse.
A Mô-cinha tinha um outro encontro marcado com uma amiga em um café ali próximo e preferiu não convidar o Homem da Parada, não tinha um motivo exato, talvez porque não tinha certeza sobre o que sentia ou o que queria, afinal ele era um rapaz de uma cidade distante e a Mô-cinha tinha outros namoricos em Morgoland, para ela não era tão fácil trocar algo próximo por alguém tão incerto e distante.
E a noite se seguiu para ela sem mais nada especial, o seu encontro com sua amiga rendeu uma boa conversa, inclusive Mo-cinha aproveitou para falar do encontro que tivera com o Homem da Parada, porem seus comentarios eram idiferente. Depois do cafe foi para casa dormir cedo, pois, como sempre, tinha muito o que fazer no dia seguinte.
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(Continua em breve)
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Terça-feira, Fevereiro 22, 2005
O Casamento de Robert Martin e Catharine Knang foi uma linda festa ocorrida em 1932 na catedral da cidade de Morgoland
Robert Martin e o seu Mundo da Felicidade
Seria impossível falar de Alfred Martin, tão pouco iniciar a exposição de seus filmes sem falar de seu filho mais novo: Robert Martin.
Robert nasceu no dia 25 de agosto do ano de 1900 - quando a sua mãe, Helen, já completava quarenta anos de idade - ele nascera cego, não se sabe ao certo o verdadeiro motivo de tal deficiência, mas acredita-se que tenha sido devido a um defeito genético, porém, apesar da cegueira, Robert sempre foi muito alegre, era uma criança participativa, na medida do possível, é claro, e muito inteligente.
Robert tinha uma beleza física inigualável e uma inteligência de chamar atenção. Era extremamente sensível, no entanto, passava uma imagem de fortaleza, porém havia momentos em que desabava em lágrimas inconformado com a frustração de não poder enxergar. Seus pais, Alfred e Helen, sentiam-se, muitas vezes, culpados pela deficiência do jovem Robert e tentavam supri-la redobrando a atenção ao garoto.
Em Morgoland, todos gostavam muito de Robert, ele levava alegria a todos os lugares aonde ia, contagiava as pessoas com o seu bom humor e a sua sensibilidade.
Nos momentos de desespero em virtude da cegueira, Alfred lia histórias para seu filho e lhe contava sempre que existe um mundo dentro das nossas mentes e que este mundo é o que era realmente importante, pois se trata do verdadeiro mundo, aqueles que nós criamos, que nós enxergamos da maneira que desejamos e que é através dele que encontramos a nossa felicidade.
Alfred afirmava, ainda, que Robert, apenas tinha o mundo da felicidade, pois não foi lhe dada outra opção se não ser feliz, portanto ele deveria parar de chorar e continuar construindo um belo mundo de alegria dentro daquela cabeça linda por fora e rica por dentro, esquecer todos os motivos que lhe entristeciam e prestar atenção no livro que ele havia conseguido na biblioteca pública do centro de Morgoland. E a partir daí o garoto ficava calmo e atento aos contos e histórias que Alfred passava as noites lendo para o seu filho tão especial.
Tal prática havia virado rotina na vida dos dois, mesmo quando Robert estava alegre, os dois se reuniam para se deliciar com as mais diversas histórias colhidas da biblioteca de Morgoland, havia dias em que não faziam outra coisa se não percorrer as páginas dos livros.
A medida em que Robert foi crescendo o nível da leitura foi ficando elevado, ele se interessava por todos os tipos de história e dizia que precisava delas para continuar construindo o seu mundo da felicidade.
Albert lia os livros para o filho com muito prazer, o mesmo não fazia Helen, sua esposa, pois a leitura não era a sua especialidade, crescera em uma fazenda de plantação de trigo onde não se dava tanta importância à leitura e aos estudos.
Helen afirmava que não gostava de ler, mas na verdade, não o fazia por não sabê-lo, era um mulher bela e esperta, mas tinha a intelectualidade limitada.
Com o passar do tempo, Robert revelou-se um verdadeiro filósofo, construíra, juntamente com o seu mundo da felicidade, a sua própria teoria filosófica e durante as leituras sempre comentava assuntos como a existência, o amor, a vida; e as noites de leituras passaram a ser, também, fóruns filosóficos de pai para filho.
Com a ajuda do seu pai e dos estudos sobre filosofia que ele mesmo desenvolveu, Robert praticamente esqueceu a cegueira, ou melhor, aprendeu a conviver com ela, pois havia percebido que tinha virtudes ainda maiores e que para enxergar certas coisas na vida era preciso não ver o mundo!
Sua teoria filosófica consistia na idéia do mundo grande e do mundo pequeno. Era algo muito simples, mas de um significado literalmente infinito.
Robert mostrava o mundo pequeno como o mundo dos fungos e ácaros, e ainda aprofundava mais esta idéia, dizendo que existia o fungo, do fungo, do fungo e o parasita, que vive parasitando um outro parasita, que vive no vírus, que vive no carrapato, que vive no cachorro, que mora com o homem, que habita um continente no planeta terra e é aí que se caminha para o mundo grande.
E ao chegar em fim na idéia de planeta terra, afirmava Robert, que este era um enorme "fungo" que vivia dentre muitos outros em meio às infinitas galáxias.
E assim era configurada a sua idéia de mundo grande. Em síntese, havia um mundo minucioso, aquele dos microorganismos e por fim o mundo grandioso, aquele em que está inserido o planeta Terra no universo sem fim.
Este paradoxo, era apenas o ponto de partida da teoria filosófica de Robert, a qual afirmava que o homem, enquanto ser integrante deste complexo, jamais poderia entender a existência, uma vez que não era capaz de visualizar a idéia de infinito.
E era para demonstrar esta idéia que ele usava a idéia dos dois mundos, para que fosse possível perceber que o infinito se propaga para todos os lados e todas as direções, que tanto na idéia micro, quanto na idéia macro, as proporções chegam ao infinito a tal ponto que se torna impossível enxergá-la. Da mesma forma que não podemos enxergar algo que é muito pequeno, na idéia macro, as coisas eram tão grandes que também não percebemos a sua existência.
Robert, no berço da sua sensibilidade, desenvolveu ainda a idéia sobre a comunicação dos diversos mundos. De forma que a comunicação se aperfeiçoa de acordo com a proximidade entre os mundos. Por exemplo, os seres humanos se comunicam entre si de maneira complexa e intensa por fazerem parte do mesmo mundo, da mesma forma os cachorros se comunicam e se relacionam entre eles porque vivem no mesmo mundo.
E por que os homens se comunicam com os cachorros? Porque os seus mundos são próximos. Porém, nós homens não nos comunicamos de nenhuma forma com os peixes, pois o mundo dos peixes é muito distante do nosso, contudo é possível perceber a existência dos peixes, uma vez que o mundo deles se encontra em uma distância tal que é possível apenas visualizá-los, mas impossível estabelecer comunicação.
Assim, podemos perceber o que Robert afirmava quando dizia que certos mundos estão tão distantes que apenas é possível vê-los e não estabelecer comunicação e que outros mundos se encontram tão distantes no infinito que nem mesmo visualizá-los é possível e se quer percebemos a sua presença.
Robert ficou conhecido em Morgoland pelas suas idéias inovadoras. Porém, o sábio cego não parava a sua teoria do infinito por aí. Falava do infinito em todos os aspectos, abordando ainda a matemática e as ciências. Albert Martin acompanhava a genialidade do filho muito de perto e se interessava muito pelas suas idéias, já Helen não levava a sério e achava que eles iam longe demais com esse negócio de literatura e filosofia, mas não era contra, pois percebera que o seu filho encontrara sentido em viver e havia superado a cegueira que tanto o perturbava.
Robert, mesmo tendo se tornado um intelectual, continuava freqüentando as praças e os eventos sociais da cidade, onde era geralmente muito bem vindo. Foi em um desses eventos que conheceu Catharine, com quem acabou por se casar.
Catharine Knang era uma jovem muito bondosa e inteligente, beleza não era exatamente o seu forte, mas bastava conviver com a tal garota para perceber que ela era rica de encanto, havia nascido em uma das fazendas de plantação de trigo dos arredores de Morgoland, mas desde cedo Catharine foi morar na cidade para estudar e trabalhar com sua tia Dulce, diretora da biblioteca da cidade e foi assim que Robert e Catharine se conheceram, na festa de inauguração do centro de pesquisas literárias da biblioteca do centro de Morgoland.
Namoraram durante pouco tempo e logo houve, em Morgoland, uma linda festa de casamento. Robert e Catharine contraíram matrimônio em 1932, ela era doze anos mais nova que Robert, porém a sua maturidade e inteligência ultrapassava facilmente tamanha diferença e desde que se conheceram Catharine passou a integrar as longas noites de leitura com Robert e o Senhor Martin, revezava a leitura com o velho pai que já estava com a vista e a voz cansadas depois de anos e anos de leitura com o fim de suprir a deficiência do filho Robert.
Catherine, amante da leitura e praticamente moradora da biblioteca, enriquecia ainda mais as discussões filosóficas e acrescentara às noites de leitura os mais variados romances, que antes estavam praticamente esquecidos por Robert e o Senhor Martin que só se interessavam por ciência e filosofia. Ela era apaixonada por romances e contos de amor, quanto mais sofridos e melosos, mais Catherine se envolvia.
A encantadora moça, tinha um ótimo relacionamento com a Senhora Martin, que lhe ensinou a fazer os doces que Robert gostava. Catharine aprendeu a arte dos quitutes tal e qual a Senhora Helen e fazia de Robert o homem mais feliz do mundo.
Eles - Robert e Catherine - moravam na casa do Senhor Martin juntamente com a Senhora Helen e os outros irmãos de Robert, pois era a casa onde ele havia crescido e conhecia como a palma da mão. Nada era mudado de lugar sem que Robert soubesse, assim ele se sentia confiante para se locomover sozinho e por esta plausível razão os noivos não tinham uma casa só deles. Mas a vida do casal era respeitada e o convívio na casa dos Martins era ótimo.
Assim como Catharine acrescentou os romances às leituras noturnas, depois de conhecê-la e viver a experiência do amor, Robert acrescentou um pequeno detalhe à sua teoria filosófica, o que ao final, mostrou-se como a conclusão dos seus pensamentos sobre a existência.
Um dos pontos principais da teoria de Robert era existência do infinito. Partindo deste princípio complexo, afirmava que o homem nunca iria entender a vida, a existência, pois não conseguia visualizar a existência, pois a mesma era infinita e os humanos não são capazes de conceber tal idéia, pois acreditam que tudo tem início e fim, e o infinito abrange, inclusive, o sentido temporal do existir, de forma a abranger conceitos como "nunca" e "sempre".
Assim, diante de tal complexidade, afirmava Robert, que ele apenas conseguira constatar tal fato de maneira superficial, pois apesar de aceitar e entender a idéia do infinito, ele não era capaz de enxergá-la, ainda que dentro do seu mundo interno, o mundo da felicidade verdadeira, pois ele também era um ser humano.
E lhe restava tão só a conformidade e a aceitação da vida ao lado das inúmeras indagações que desenvolvera ao longo de anos de estudo e debates com seu pai. Robert acreditava que o desconforto ocasionado por essas indagações era inerente ao ser humano.
Segundo Robert Martin, só havia um caminho para livrar-se de tamanho desconforto de viver sem saber para quê, qual seja o caminho do amor.
Depois que se casou com Catharine, Robert continuou o seu estudo filosófico, porém de maneira mais amena e tudo o mais que fazia Robert era com serenidade e calma.
Ele já não vivia mais a agonia de tentar encontrar respostas em seu mundo, muitas vezes já se perguntou se, se possuísse visão, conseguiria encontrar suas respostas no mundo visual, exterior ao seu mundo interno e feliz. Porém, depois que conheceu o amor de Catharine Knang, encontrou a paz e descobriu que o amor é a grande resposta.
E foi esta a conclusão de Robert em sua teoria filosófica, contudo, esta jamais parou enquanto Robert viveu. Ele desenvolveu os vários tipos de amor, e as várias maneiras de viver feliz neste mundo em que nada nos é esclarecido.
Foi por causa de Robert e Catharine, e por causa da relação sentimental e intelectual que estes dois mantiveram com o Senhor Alfred Martin que podemos colher um material tão rico para a nossa pesquisa.
O sonho do Senhor Alfred nasceu juntamente com as ricas leituras com o filho Robert e sua nora Catharine e foi por causa de Robert, que o Senhor Martin teve o cuidado de transformar em texto todos os seus filmes, para que Catharine lesse estes textos para Robert, seu amado marido, e com esse ato de amor pelo filho, o Senhor Martin eternizou a conteúdo dos seus filmes em textos que foram conservados até os dias de hoje na biblioteca de Morgoland.
Dos filmes propriamente ditos apenas restaram alguns resquícios, devido à má qualidade dos rolos de filme e da maneira inadequada em que foram guardadas, contudo, o melhor está eternizado; o conteúdo dos filmes, as histórias contadas pelo Senhor Alfred Martin, que são o objeto da presente pesquisa, estão perfeitamente conservados em Morgoland e agora serão repassados para todos aqueles que tiverem interesse nessas fascinantes histórias.
::8:52 AM
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Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005
Tendo em vista a peculiaridade dos filmes produzidos pelo Senhor Alfred Martin, nós, pesquisadores deste trabalho, estamos desenvolvendo estudos para levar, diretamente de Morgoland, o estudo sobre os mais interessantes filmes da década de 30 que jamais foram divulgado em âmbito internacional, assim estamos trabalhando para trazer ao Brasil os filmes guardados na Videoteca da cidade de Morgoland e divulgar aos Brasileiros interessados por arte e novidades o conteúdo desta pesquisa que se revela um verdadeiro tesouro guardado no passado.
E ainda iremos expor aqui, alguns traços da vida e personalidade deste admirável homem, Alfred Martin, bem como as características ímpares da cidade de Morgoland.
Ao fundo, a casa do Sr. Martin, localizada no centro de Morgoland, onde morava com a sua família, também onde funcionava o seu escritório de contabilidade e ainda o local que produzia os seus filmes.
::11:12 AM
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